22 de novembro de 2016

Por que a Black Friday prejudica você

Olá!


Este artigo é para conversar com você sobre o consumismo e o que ele faz a você e à sua vida, aproveitando o gancho da Black Friday que está chegando...



"Quando começou a comprar almas, o diabo inventou a sociedade de consumo"- Millôr Fernandes







Confesso para você que me sinto muito ousada. 



Às vezes me sinto muito pequena para alcançar o objetivo de alertar muitas pessoas a nadar contra a corrente...



Mas algumas verdades precisam ser ditas.



Então imagine-se deitando para ir dormir em uma noite muito quente de verão tropical. Sem ar condicionado.



Você deita sem pijama, sem coberta e aproveita a brisa que entra pela janela para se sentir confortável, seu corpo relaxa, sua mente começa a descansar, você começa a entrar no sono... 



E, então, chega um pernilongo em seu ouvido. E picando a sua pele. 



Você resiste por um tempo...  até que se levanta, acende a luminária, espreme as pálpebras, espera o olhar se readaptar à luz, procura o bicho [quase invisível], pega algo com o que você possa alcançá-lo, mira e...



Percebe como um ser pequeno, tão pequeno que parece até insignificante, pode causar tanto movimento?



Pois se eu sou pequena demais para fazer um movimento significativo a favor da consciência de consumo, eu vou ser como um pernilongo.



E convid
o você a ser assim também... eu e você, lado a lado.



Porque você sabe que é comum você 'aprender' em filmes e em seriados que, para se sentir feliz, você deve adquirir algo novo, uma roupa nova, um sapato, um carro. 



Hoje, o ato de sair para comprar coisas é vendido a você como sinônimo de felicidade.



E você sabe também que a sua felicidade não vem daí. 



Você vai até a loja, ou o site de venda, tem um pico de entusiasmo... E depois volta ao ponto em que estava antes. E às vezes vai comprar mais alguma coisa, para ter mais um pico de entusiasmo, como se fosse uma droga.



E eu sei que você, se está aqui lendo isto, ou já saiu dessa roda de ratos, ou está prestes a sair.



Porque você busca consciência. 



Você vai ler neste artigo o que o psicólogo Edwin Karrer recomenda para tornar-se menos vulnerável ao consumo desnecessário...



Antes, eu quero que você compreenda o lado bom e ruim disso. 



Porque até a Black Friday não é de toda ruim em sua raiz. Ela foi criada para desovar estoques há muito tempo parados, com produtos a preços ridiculamente baixos, para serem comprados por quem precisasse.



No Brasil, porém, a cultura dos lojistas não é fazer grandes estoques... Então "importamos a black friday" para estimular o consumo inconsciente - e oferecer produtos 'pela metade do dobro', como você já sabe.



Outro fator importante é atentar-se à questão de comprar o que não precisa, trocar [carro, fogão, geladeira, etc] por uma peça nova, sem necessidade disso.



É uma prática que trata a Natureza como se tivesse recursos infinitos - que na verdade são finitos - e que contribui com a geração de muito mais resíduos do que a quantidade que o planeta consegue lidar.



Você sabia que os EUA (lá de onde vem a Black Friday) consomem 4x mais recursos do que a Terra pode fornecer?



O que essa cultura está fazendo com o nosso planeta?



E precisamos também abordar a questão emocional desse consumismo todo.



Porque ele está diretamente relacionado a nossos elos sociais.



No estilo de vida contemporâneo, nesta ilusão em que estamos vivendo, a posse e oferta de objetos são tratados como ingresso nas trocas sociais e afetivas, como sinônimos de felicidade e de demonstração de afeto. 



Mas não preenche em nada a nossa real necessidade de conexão emocional nem entre seres humanos, que dirá entre nós e a Natureza.



Apesar de todas as compras, nós permanecemos vazios.



"A cultura do consumo, na qual todos nós estamos inseridos, mercantilizou as dimensões sociais e datas comemorativas"- Lais Fontenelle Pereira, psicóloga.



Então o psicólogo Edwin K. compartilhou três frentes de ação para você se tornar menos vulnerável à manipulação em seus hábitos de consumo:



1- aumentar o nível de consciência sobre o processo de compra - tomar consciência da motivação real por trás da sua vontade de comprar;



2- reduzir a influência da publicidade sobre a sua tomada de decisão - mais uma vez, estar consciente de como está seu emocional ao fazer a compra (você não vai ter o poder de desbravar o mundo só porque comprou o carro 'fodão')



3- rever as formas de autogratificação - tomar consciência de sua carência emocional para poder preenchê-la de forma real, consistente.



Como você pode perceber, a sua real liberdade de escolha e a sua felicidade estão diretamente relacionadas à sua consciência de si mesma/o.



Eu diria, com convicção, que a sua liberdade e felicidade depende da sua consciência de ligação com sua natureza emocional.



"A máxima 'conhece-te a ti mesmo' é importante, inclusive, para o controle do impulso de consumo, para termos consciência e propriedade de nossas decisões."- Daniela de Oliveira, psicóloga.



Então eu me despeço deixando para você o convite para que venha comigo, lado a lado...



Preencher o vazio existencial e a carência emocional, que habita cada um de nós, com o que realmente vale...



Com consciência e reconexão à sua Natureza.



E que sejamos pernilongos na noite quente da sociedade.



Um abraço de Luz!

Leticia Momesso






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